Polícia
Delegado Gustavo Sotero é condenado a mais de 30 anos pela morte de advogado em Manaus
A Justiça do Amazonas condenou o delegado Gustavo Sotero a mais de 30 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte do advogado Wilson Justo Filho, em Manaus. O julgamento ocorreu em novembro de 2019 e terminou após dois dias de sessões, com o depoimento do réu e a oitiva de 16 testemunhas.
Pela morte de Wilson Justo, Sotero recebeu pena de 15 anos e 10 meses de reclusão. A esposa da vítima, Fabíola Rodrigues, também sofreu um disparo durante o episódio. Sendo assim, os magistrados determinaram a condenação relacionada a ela em 10 anos e 15 meses.
O delegado ainda o condenou por lesões corporais contra Yuri José Paiva, com pena de 2 anos e 6 meses, e contra Mauricio Carvalho, com 8 anos e 4 meses de reclusão.
Defesa alegou legítima defesa
Durante o interrogatório, Sotero pediu aos jurados que analisassem o caso sem se deixar influenciar apenas pela emoção. Ele disse que não planejou o encontro com Wilson e afirmou que não conhecia o advogado antes do episódio.
Segundo a versão apresentada pelo réu, os disparos ocorreram durante uma tentativa de defesa, após Wilson supostamente tentar desarmá-lo e derrubá-lo. Sotero também relacionou o início do confronto a um suposto episódio de ciúmes envolvendo Fabíola Rodrigues.
A defesa utilizou imagens da reconstituição do confronto para sustentar a tese de legítima defesa. Todavia, os jurados rejeitaram o argumento.
Ministério Público contestou versão
Durante a acusação, o promotor George Pestana contestou a tese apresentada pela defesa. Ele mencionou episódios anteriores envolvendo Sotero, entre eles uma ocorrência de 2014 nas proximidades da casa noturna Porão do Alemão.
Segundo o promotor, naquele episódio o delegado teria ameaçado policiais militares com uma arma, o que resultou posteriormente em uma punição administrativa de 17 dias de suspensão.
Após pouco mais de uma hora de deliberação, os jurados e o juiz Celso Souza de Paula chegaram à decisão. Na sentença, o magistrado destacou que a legítima defesa havia sido rejeitada e explicou que as penas foram somadas conforme as circunstâncias reconhecidas no julgamento.
Para o Ministério Público do Amazonas, a condenação foi compatível com o que foi apresentado durante o processo.
A defesa tinha direito de recorrer da decisão e, à época, também havia a possibilidade de solicitação de habeas corpus para que Sotero aguardasse o andamento do processo em liberdade.
Viúva falou sobre condenação
Após o julgamento, Fabíola Rodrigues afirmou que considerava a condenação uma forma de justiça pela morte do marido, embora tenha lamentado que a pena não tivesse sido maior. Abalada, ela disse esperar conseguir reconstruir a vida após a perda de Wilson Justo.