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Polícia

Professor esfaqueado nove vezes em Manaus diz que sobreviveu por um “milagre”

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Professor esfaqueado nove vezes em Manaus diz que sobreviveu por um “milagre”

O professor e estudante de Engenharia Civil Vinicius Siqueira Figueiredo, de 23 anos, prestou depoimento nesta segunda-feira (31), na Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI), em Manaus. Ele foi vítima de um ataque a facadas dentro de uma sala de reforço escolar, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul da capital.

Vinicius recebeu alta hospitalar no sábado (29), após permanecer internado por três dias. Segundo ele, a recuperação tem evoluído bem, embora ainda sinta dores e precise tratar os ferimentos.

“Eu estou me recuperando muito bem, graças a Deus eu consigo andar, consigo realizar as atividades. Claro que sinto um pouquinho de dor, não é a mesma coisa que antes, mas eu tenho total noção de que foi um milagre o que foi realizado comigo”, declarou.

O professor afirmou que considera um milagre ter sobrevivido aos nove golpes. Segundo ele, os ferimentos não atingiram regiões que poderiam ter provocado uma consequência fatal imediata. Ele também destacou a importância do socorro prestado por uma testemunha logo após o ataque.

“Tanto a questão dos golpes não terem afetado áreas que eu poderia fazer, eu ia falecer ali imediatamente, mas também ao fato do Sr. Allan fazer o socorro comigo ali, logo que ele me viu pedindo socorro”, afirmou.

Vinicius agradeceu ainda o apoio recebido de familiares, amigos e até de pessoas que não conhecia. Para ele, a soma desses fatores foi fundamental para que estivesse vivo e pudesse retornar para casa.

“Então, para mim tudo foi uma grande junção de fatos que é sinônimo de milagre. Um milagre que aconteceu comigo e graças a Deus estou vivo”, disse.

Professor diz não entender motivo do ataque

Durante o depoimento, Vinicius afirmou que não consegue apontar uma possível motivação para o crime. Segundo ele, não houve qualquer comportamento anterior que indicasse que o adolescente pudesse atacá-lo.

“Eu não sei, não faço ideia, não consigo imaginar uma coisa que faça alguém pelas costas ali, acertar alguém que cria uma relação de confiança, professor, aluno ali. Então, não consigo citar nenhuma causa, nenhuma coisa que justifique um ato desse”, declarou.

O professor contou que havia dado apenas a terceira ou quarta aula ao adolescente e que os dois já estavam avançando para o acompanhamento da segunda avaliação escolar.

Ele também afirmou que, no dia do ataque, tudo parecia normal.

“Nunca, nunca, em nenhum momento esperava nada que fosse acontecer”, afirmou.

Momento do ataque

Vinicius relatou que, durante a agressão, sentiu medo de morrer no local. Como estava dentro de uma sala fechada, também temeu que não o encontrassem a  tempo.

“É instantâneo a adrenalina que sobe ali, eu acho que eu lembro de pensar muito que eu ia morrer naquele momento ali, que meus pais ficariam muito mal. Eu fiquei com medo de não ser visto ali porque era um lugar fechado, fiquei com medo de acontecer o pior comigo”, contou.

Questionado sobre a possibilidade de voltar a dar aulas, o professor afirmou que ainda não consegue definir o que fará no futuro e que precisa se recuperar física e emocionalmente.

“Não tem como afirmar o que vai ser de mim no futuro, claro, mas eu sei que eu tenho muitas coisas a tratar, que dar aula talvez não seja uma coisa que eu pretenda retornar a fazer”, disse.

Investigação

A investigação é conduzida pela DEAAI. O adolescente de 15 anos, apontado como autor do ataque, permanece na Unidade de Internação Provisória (UIP). Ele responde por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

A advogada da família, Carine Frota, afirmou que todas as principais pessoas envolvidas no caso já prestaram depoimento. Portanto, as autoridades estão próximas da conclusão do caso.

“O que eu posso dizer a vocês é que a justiça está sendo feita, e que tudo que tinha que acontecer foi feito, nós cobramos e fomos atendidos”, declarou.

Sobre uma possível responsabilização dos pais do adolescente, a advogada explicou que a análise cabe às autoridades responsáveis pela investigação e ao Ministério Público.

“Esse papel é do Ministério Público em checar essa omissão e essa responsabilidade. Então essa parte aí a gente deixa para o promotor de justiça”, afirmou.

Atendimento e recuperação

Após ser atacado, Vinicius foi levado ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde recebeu os primeiros atendimentos. Posteriormente, ficou internado no Hospital Check Up, em Adrianópolis.

Segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), exames de imagem não identificaram lesões internas ou comprometimento abdominal.

O professor também reconheceu o trabalho das equipes médicas e agradeceu as mensagens de apoio recebidas durante os dias em que permaneceu hospitalizado.

“Olhando para todas as possibilidades que poderiam ter acontecido comigo, eu vejo que meus ferimentos foram bem tratados, o hospital prestou tudo o que poderia prestar comigo”, afirmou.

Agora, Vinicius segue a recuperação em casa ao lado da família, enquanto as autoridades continuam apurando as circunstâncias do ataque.