Crônica
OS ÚLTIMOS GUARDIÕES — COM ORGULHO
Há um instante perigoso na história das sociedades:
quando o aplauso passa a valer mais do que o pensamento.
Nesse momento, os que ensinam começam a ser tratados como peças antigas de um mundo que já não interessa.
O professor, que antes carregava luz, passa a carregar cansaço.
Fala para salas distraídas por telas, algoritmos e vaidades instantâneas.
Mesmo assim, insiste.
Porque ensinar é um ato de resistência.
Enquanto muitos fabricam celebridades do vazio,
há professores tentando salvar crianças do abismo da ignorância cotidiana.
Sem holofotes.
Sem prestígio.
Às vezes, sem salário digno.
Mas ainda acreditando que uma ideia pode mudar uma vida.
E pode.
Toda civilização nasce primeiro numa sala de aula.
Antes do engenheiro, houve um professor.
Antes do juiz, do médico, do cientista ou do poeta, houve alguém segurando um giz, corrigindo erros e ensinando, pacientemente, o valor das palavras e do pensamento.
Quando o conhecimento perde importância, a barbárie não chega gritando.
Ela chega sorrindo, entretendo, banalizando tudo.
Transforma ignorância em opinião forte e despreza quem estudou a vida inteira para compreender o mundo.
Depois vêm os escombros invisíveis:
a violência normalizada,
a mentira elevada à verdade,
o ódio substituindo o diálogo,
a mediocridade ocupando espaços de liderança.
Uma sociedade não morre apenas pela fome ou pela guerra.
Às vezes, ela morre lentamente quando deixa de ouvir seus mestres.
Por isso, valorizar a educação nunca foi favor.
É defesa própria.
É a última tentativa de impedir que o futuro seja governado pela escuridão daqueles que nunca aprenderam a pensar.
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