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Crônica

DIPLOMACIA ou VASSALAGEM? O Esvaziamento do Sentido Nacional

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Foto: Gerada por IA

Há algo de profundamente constrangedor no vira-latismo que ainda permeia setores da política brasileira, sobretudo em parcelas da direita — e não apenas na relação com figuras como Donald Trump. Trata-se de uma postura recorrente, quase automática, que revela mais do que simples alinhamento ideológico: expõe uma carência de projeto nacional e uma dependência simbólica de validação externa.

Alguns agentes públicos parecem acreditar que uma fotografia ao lado de líderes estrangeiros possui mais valor político do que a construção paciente de um programa consistente para o país. Mendigam apertos de mão, sorrisos protocolares e selfies como quem busca um certificado de relevância internacional.

Essa lógica reduz a diplomacia a espetáculo e submete o interesse nacional a uma espécie de fetiche pela proximidade com o poder estrangeiro. Em vez de negociação entre iguais, instala-se uma relação quase hierárquica, marcada por admiração acrítica e submissão simbólica.

Não se trata de rejeitar alianças ou cooperação internacional — ambas são essenciais —, mas de compreender que tais relações devem ser guiadas por estratégia, reciprocidade e, sobretudo, dignidade.

Relações internacionais não são encontros entre admiradores e ídolos políticos. São, ou deveriam ser, pactos entre nações soberanas, conscientes de seus interesses e capazes de defendê-los com autonomia.

Enquanto persistir essa cultura de deslumbramento, o Brasil continuará oscilando entre a retórica da grandeza e a prática da subserviência.