Polícia
Vorcaro tenta minimizar suspeitas de fraude bilionária no BRB e diz à PF que operações eram “normais”
Brasil – O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou irregularidades nas operações financeiras envolvendo o Banco de Brasília (BRB), durante depoimento prestado à Polícia Federal no dia 15 de outubro. Preso preventivamente na Papudinha, no Distrito Federal, o ex-banqueiro classificou as negociações como normais e sustentou que os negócios teriam gerado resultados positivos. Entretanto, a versão apresentada contrasta com as conclusões preliminares da investigação sobre uma suposta fraude bilionária no BRB, que envolve aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito suspeitas.
Vorcaro nega fraude bilionária no BRB durante depoimento à PF
Durante o interrogatório, Vorcaro tentou demonstrar que as operações entre as instituições seguiam práticas comuns do mercado financeiro. Além disso, citou negociações semelhantes realizadas com outros bancos e afirmou que o BRB teria lucrado com as transações. “Eu ajudei o BRB. Não tem nada de errado. Tanto que o BRB teve lucro”, declarou. Segundo reportagem do Metrópoles, o procedimento completo durou aproximadamente quatro horas, enquanto a gravação divulgada tem cerca de duas horas e meia. O empresário também pediu o arquivamento da investigação.
Polícia Federal aponta R$ 12,2 bilhões em operações suspeitas
Por outro lado, a Polícia Federal apresenta uma avaliação diferente sobre os negócios entre Master e BRB. Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito foram negociados com indícios de irregularidades, incluindo títulos considerados fictícios ou sem comprovação de lastro. Além disso, o relatório de indiciamento atribui a Vorcaro participação direta nas decisões relacionadas à aquisição e transferência desses ativos. A investigação também identificou operações envolvendo a empresa Tirreno, apontada pela PF como parte da estrutura utilizada nas negociações. Dessa forma, os policiais buscam esclarecer a origem dos créditos e as responsabilidades dos envolvidos.
Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas são indiciados pela PF
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal concluiu uma etapa da investigação e indiciou Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas. Entre os crimes apontados estão gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além disso, os investigadores identificaram aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já reconhecidas, conforme o relatório encaminhado às autoridades competentes. O indiciamento, entretanto, não representa condenação judicial. A PF também solicitou mais 60 dias para concluir exames periciais e apresentar um relatório complementar.
Defesa contesta investigação e afirma que BRB não teve prejuízo
Apesar das conclusões policiais, a defesa de Vorcaro sustenta que as operações foram legítimas e não provocaram prejuízo ao banco público. Segundo os advogados, as carteiras de crédito questionadas acabaram substituídas por outros ativos, e as transações teriam produzido resultados positivos. Além disso, a defesa argumenta que a investigação ainda não demonstrou, por meio de perícia oficial, a existência dos prejuízos atribuídos aos negócios. Por sua vez, a Polícia Federal considera que a substituição posterior dos créditos não elimina a necessidade de investigar possíveis irregularidades nas operações originais. Assim, as duas versões permanecem em confronto no processo.
Investigação sobre fraude bilionária no BRB continua no STF