7 DE SETEMBRO MARCADO POR AGRESSÕES A IMPRENSA

Nas redes sociais profissionais mostraram suas solidariedades.
Marcela Leiros – Da Cenarium
MANAUS – O Dia da Independência, em Manaus, foi marcado pela presença de milhares de manifestantes nas ruas da capital amazonense, onde também houve registros de agressão a profissionais da imprensa. Nessa terça-feira, 7, duas equipes de repórteres e cinegrafistas foram hostilizadas durante a cobertura de atos pró-Bolsonaro na cidade.
O repórter Luiz Henrique Almeida e o cinegrafista Lázaro Filho, da TV Band Amazonas, acompanhavam o evento na Praia da Ponta Negra, zona Oeste da capital, quando, próximo de concluir o trabalho, foram hostilizados e quase agredidos por alguns manifestantes que estavam no local. “Nos deram bandeiradas, tentaram me imprensar na porta do carro“, disse o repórter em uma publicação no Instagram.
Em vídeos compartilhados pelos profissionais nas redes sociais, é possível ver o repórter tentando gravar uma passagem enquanto manifestantes vestidos de verde e amarelo, portando bandeiras do Brasil e gritando palavras como “mito”, impossibilitam o trabalho de Luiz Henrique e Lázaro. “Situação horrível aqui na Praia da Ponta Negra, acabaram batendo em mim ali também, coisa básica, uma vergonha, uma vergonha mesmo”, manifestou o repórter. (Veja os vídeos abaixo)
O cinegrafista Lázaro Filho também se posicionou, revoltado, em uma publicação. “Profissionais de imprensa não podem mais trabalhar. Isso porque é uma manifestação pacífica e democrática”, pontuou.
“Imprensa nojenta”
Na mesma manifestação, outra equipe de reportagem foi hostilizada. O repórter Lucas Henrique e a cinegrafista Bianca Ribeiro, do Portal Em Tempo, foram abordados por dois homens “visivelmente embriagados e com garrafas de cerveja na mão”.
“Perguntaram a nós se éramos de ‘direita ou esquerda’ e logo depois de responder que estávamos ali trabalhando, começaram a nos xingar em tom de ameaça: ‘vaza daqui imprensa nojenta’”, detalhou Lucas à CENARIUM.
O repórter ainda afirmou que o sentimento que fica é de impotência. “Quando estamos a trabalho, não podemos nos dar ao luxo de reagir a nada disso, apenas tentar evitar mais confusão e evadir o local. Não queremos que nos recebam com flores e nem com privilégios de qualquer forma, só exigimos respeito pelo nosso trabalho”, falou ainda.

Agressões
O jornalismo é considerado uma atividade essencial na pandemia. Mas, de acordo com o relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2020, elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), 2020 – o primeiro ano da pandemia – foi considerado o mais violento aos profissionais.
Como em 2019, a descredibilização da imprensa foi uma das violências mais frequentes: 152 casos, o que representa 35,51% do total de 428 registros ao longo de 2020. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi o principal agressor. Dos 152 casos de descredibilização do trabalho dos jornalistas, o presidente da República foi responsável por 142 episódios.
Sozinho, Jair Bolsonaro respondeu por 175 registros de violência contra a categoria (40,89% do total de 428 casos): 145 ataques genéricos e generalizados a veículos de comunicação e a jornalistas, 26 casos de agressões verbais, um de ameaça direta a jornalistas, uma ameaça à Globo e dois ataques à Fenaj.